terça-feira, 7 de abril de 2009

A cancha (ou a torcida faz muito barulho…)

*Eugenio Brauner


O Perspectiva é uma das minhas leituras da manhã. Entre biscoitos e café, refastelo-me lendo sobre a Vila Mimosa ou sobre as opiniões apaixonadas (e abalizadas) de um torcedor gremista. Apesar de não contribuir mais com tanta assiduidade, continuo a ler tais geniais (geniosos) blogueiros – desculpem a caetanice! Senti um certo ranço no texto do Sr. F. Rules, de palavras tão bem colocadas e de uma finesse irônica escorregadia. Aliás, irmão de peixe… Dizer que o Grêmio não vence o Inter por causa do local onde se realiza tal embate é de uma “rasteirice” tremenda, coisa digna de Milton Neves! O Sr. F. Rules está esquecendo que uma destas derrotas tricolores aconteceu em Erechim. Colosso da Lagoa com arquibancadas “divididas em meio-a-meio” – até mesmo na cordialidade do Sergio Buarque de Hollanda –, cujos torcedores não carregavam o espírito belicoso de alguns torcedores da capital. Por que o Grêmio não ganhou? Ah, foi o Simon… O Sr. F. Rules esquece – ou faz-se esquecer? – que um dos gre-nais do Brasileirão 08 ocorreu no Estádio Olímpico e se não fosse a estupidez do Renan… Aliás, o Sr. F. Rules, muito maroto, esqueceu que tanto Inter quanto Grêmio adoram vencer na casa do rival. Quem não lembra do 5×2, da inauguração do Olímpico, dos 4×0 no uniforme todo vermelho, do gol do Christian e a fuga do rebaixamento – e eu lembrei desses apenas de memória! Imaginem uma pesquisa no Google? Concordo que o mando da cancha é importante, mas ele não vem em primeiro lugar, pois com um treinador como o Celso Roth, um capitão “chiliquento” e uma diretoria “fanfarrona”, aliados a ausência de um ataque, de um primeiro volante e de uma zaga segura, as coisas ficam bem difíceis. Bem mais difíceis. Ah, mas o Gaciba…

*Eugenio Brauner é professor, colorado, passa a manhã na Internet e gosta de café moreninho com bolachinhas Passatempo.

Tudo que Eugenio Brauner publicou no Perspectiva está aqui

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dez anos de The Legend of Zelda: Ocarina of Time

zelda

Foi comemorado no final do ano de 2008 os 10 anos do lançamento do jogo que redefiniu a indústria de videogames e se tornou parâmetro para todos os jogos lançados posteriormente. The Legend of Zelda: Ocarina of Time, tido por muitos como o melhor jogo da Série (e por outros vários como o melhor de todos os tempos) foi lançado em 1998 para Nintendo 64 e vendeu até hoje aproximadamente 7.5 milhões de cópias, sendo assim o mais vendido dos jogos da Série e o quarto colocado dentre os games do console.

A impressão à época foi de que um novo poder estava nascendo. A transição dos jogos em duas dimensões para os 3D ainda não havia sido colocada totalmente a prova. Super Mario 64 cumpriu brilhantemente seu papel de estréia, mas com defeitos de jogabilidade; no Playstation, raros eram os jogos que possuíam um desenho gráfico capaz de encher os olhos e fazer corar as máquinas obsoletas de tempos passados. The Ocarina of Time cumpriu com louvor o papel: encheu os olhos com gráficos até então inimagináveis e teve o mérito também de possuir uma história envolvente e a implantação de um padrão que até hoje perdura, a câmera lock on: ao pressionar o Botão Z, a imagem acompanhava o personagem para onde o próprio enxergasse. Parece pouco para hoje, como para um ignorante as palavras de Immanuel Kant também. Só que esta obviedade só foi posta em prática pelas mãos dos criadores do jogo.

Um fato em comum aos jogos da era 32/64 bits foi que muitos “envelheceram mal”. A imensa maioria dos jogos lançados para os consoles desta geração (Nintendo 64, Sega Saturn e Playstation) são praticamente impossíveis de serem admirados nos dias de hoje. Os gráficos, que à época encheram olhos e encantaram multidões hoje não passam, em sua grande maioria, de desenhos animados mal feitos e com erros grotescos. Mas não Ocarina of Time: ao que pese uma análise criteriosa gráfica, é evidente que o jogo deixa a desejar para os dias atuais. Entretanto, deve-se observar um jogo de uma época…com olhos desta época. E é por esta razão que TLoZ: OoT é um jogo atemporal e tal qual Caetano Veloso, envelhece com dignidade aos olhos e aos ouvidos dos fãs.

O mundo do videogame ainda está na espera de um novo jogo da série que supere Ocarina – mas é uma tarefa inglória. Novos jogos da série já foram feitos e talvez sejam até melhores que o homenageado: porém, o impacto que Ocarina of Time gerou jamais será superado. É o carma de quem alcança a perfeição: tal nível impede que um dia supere-se a sua própria obra. Já faz mais de dez anos que o videogame foi reinventado, mas para quem participou da mudança a impressão é de que foi ontem. E a sensação sentida há uma década mantém acesa a chama para a expectativa de que a master-piece seja superada. Assim como Celso Roth acredita que um dia ganhará um título relevante, eu creio que Ocarina of Time será superado. I have a dream!

Ele saiu!!!

CELSO ROTH, O TREINADOR IMUNE A TÍTULOS FOI DEMITIDO DO GRÊMIO!

VAMOS SAIR NAS RUAS, AMIGOS. A GOETHE SERÁ TOMADA! PORTO ALEGRE FICARÁ PEQUENA! ESSA É A MAIOR FESTA QUE O ESTADO VERÁ!

NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS A CIDADE VIVEU TANTA EMOÇÃO. É UM SONHO QUE SE TORNA REALIDADE.

SONHE, GREMISTA. SONHE QUE É POSSÍVEL. SONHE QUE A LIBERTADORES SE APROXIMA.

JÁ OUÇO OS FOGOS DE ARTIFÍCIO!

*TEMA DA VITÓRIA*

QUE COISA LINDA. É COMO SE AYRTON SENNA VENCESSE MAIS UM GRANDE PRÊMIO. COMO SE PELÉ DESFERISSE MAIS UM SOCO NO AR.

VAMOS ÀS RUAS!

domingo, 5 de abril de 2009

Domingo de Ramos


domingo

Desenho elaborado por Madame Y , baseado na obra

A entrada triunfal em Jerusalém

de Bernhard Plockhorst

Museu de Syracuse- New York

Quer saber mais? Leia aqui

15 anos sem Kurt Cobain

Na entrada de Aberdeen, cidadezinha do noroeste dos EUA, há uma placa que recepciona os visitantes com os seguintes dizeres: “Come as you are” (venha como você é). Alguns visitantes incautos talvez possam pensar que ela é um aviso para o forasteiro com segundas intenções. Talvez pudesse ser assim. É certo que Aberdeen é uma cidade pequena, e, como as cidades pequenas – e, ainda mais, as cidades pequenas dos EUA – é cheia de pessoas que vêm até você e mostram-se claramente, como elas de fato são, sem cinismos nem duas caras. Mas a placa não está lá por causa disso. Está lá por causa da música composta por seu filho mais ilustre, Kurt Cobain, cujos versos incluíam uma demonstração cabal de frontalidade: “And I swear that I don’t have a gun” – eu juro que não trago uma arma.

Kurt Cobain foi uma criança tímida e um adolescente inseguro, presa fácil das más companhias. Filho de família desestruturada – conta-se inclusive que sofreu abusos por parte do padrasto – nunca teve a necessária formação para resolver os problemas que a vida (e,em especial, a vida de celebridade) impinge a todos nós. Nunca lhe disseram para cuidar com quem andasse, para não confiar cegamente nos estranhos e nem lhe deram qualquer exemplo prático de que este tipo de conduta dava certo. Nunca lhe deram lição alguma. Nunca lhe deram ajuda alguma, nunca lhe protegeram – nunca lhe deram as armas necessarias para enfrentar o que qualquer um de nós, bons e respeitáveis cidadãos, enfrentamos bem armados todos os dias. E vivemos bem armados, cada vez que abrimos a boca ou que emprestamos um ouvido a outros. Kurt Cobain encarou o nosso mundo de peito aberto. Sem armas nem armaduras, recebeu cada um dos golpes e dos tiros que o inimigo lhe desferiu. Incapaz de, na solidão, encarar as cicatrizes que lhe cobriam o corpo e a alma, refugiou-se nas drogas e no álcool, sem saber que também eles eram responsáveis por muitas destas cicatrizes, e , há exatos 15 anos, encontrou sossego da única maneira que pessoas como ele podem sossegar.

CELSO ROTH, PEÇA DEMISSÃO!

Caro Roth,

Tenho em vista a incompreensível decisão da direção do Grêmio, que reafirma mantê-lo no cargo independente de resultados ruins e atuações VEXATÓRIAS como a de hoje, nós, do Blog Perspectiva, pedimos:

PEÇA DEMISSÃO!

Tenha o MÍNIMO de dignidade e admita a sua incompetência, covardia e INCAPACIDADE de sair vencedor! Aceite que a sua permanência coloca em risco todo o ano do Grêmio. Tenha amor próprio e retire-se, vá curtir a vida, aproveitar os duzentos e tantos mil reais que você recebe todo mês para, além de não fazer absolutamente nada de útil, criar situações constrangedoras para toda a torcida gremista.

Sei que estamos pedindo algo improvável. Mas não custa tentar.

Atenciosamente,

Blog Perspectiva

sábado, 4 de abril de 2009

Oasis em Porto Alegre

Quando no ano passado foi anunciada a vinda da banda norte-americana R.E.M. para Porto Alegre, os fãs comemoraram. Trata-se de uma das maiores bandas da história do rock e com uma capacidade invulgar de cativar todas as faixas de idades. Previa-se que os ingressos para o show no Gigantinho ou Pepsi On Stage fossem esgotados rapidamente. Mas, contrariando todas as previsões, o palco escolhido para o show foi o estádio Passo D´Areia, do São José, clube pequenino da capital – ou se preferirem, no Zequinha Stadium.

O espanto foi geral. Nos últimos anos Porto Alegre havia sido palco de muitos bons shows, mas todos em casas menores: a capacidade do Gigantinho é de 13~14 mil pessoas e do Pepsi On Stage é de 6 mil pessoas – e mesmo assim alguns não lotaram. Trazer uma banda que não estava propriamente em seu auge para fazer o maior show da miniturnê brasileira foi uma aposta perigosa da organização. Mais: foi um teste para Porto Alegre. Aquele show determinaria se a capital gaúcha estaria apta a receber shows deste porte. Chegado o dia do espetáculo, mais de 15 mil pessoas assistiram ao excelente concerto do R.E.M. dos cerca de quase 18 mil ingressos colocados à venda. No vestibular de sua própria capacidade, Porto Alegre foi aprovada. E as conseqüências – positivas, diga-se de passagem – começam a aparecer com força neste ano.

A confirmação do show do Oasis em Porto Alegre para o próximo 12 de maio mostra que a cidade já não é mais vista como apenas mais uma no rol das escolhidas pelas grandes produções. Pelo contrário: o Gigantinho, palco escolhido para o evento, tem mais capacidade de público que o Citibank Hall que abrigará os britânicos na apresentação em São Paulo. Ou seja, Porto Alegre está sendo considerada pelos organizadores do evento como um dos expoentes de público musical no país. Nas três oportunidades em que veio ao Brasil (sendo uma delas o Rock in Rio 3 onde a banda tocou para o maior público de sua história, cerca de 200 mil pessoas) jamais Porto Alegre foi cogitada para receber o espetáculo. Menos mal para os fãs que agora terão a oportunidade de ver de perto a banda que liderou o movimento britpop na metade dos anos 90.

O Oasis vem ao Brasil promover seu mais recente lançamento, Dig Out Your Soul. Os ingressos para o show em Porto Alegre já estão no seu segundo lote e a expectativa é que esgotem rapidamente. Não há quem discorde de que é o espetáculo do ano na esfera musical – friso musical porque o espetáculo do ano em Porto Alegre será o título continental do Grêmio, o maior clube da cidade – e este blog sugere que quem queira assistir vá comprar seu ingresso rapidamente, para evitar que olhem para trás com raiva e fiquem a se remoer por ter deixado passar a chance de assistir esta que foi uma das maiores bandas dos anos 90.

DICAS PARA QUEM VAI AO SHOW:

- Não use camisas do Manchester United pensando que está abalando: apesar de serem da cidade de Manchester, os Irmãos Gallagher são supporters do Manchester City, o rival dos Red Devils

- Não leve a sério as “brigas” no palco dos integrantes: faz parte da interação – ou o que eles imaginam ser interagir – com a platéia

- Não solte gritinhos histéricos quando Don´t Look Back in Anger for cantada. Ou em Wonderwall. Ou em Masterplan. Ou em Songbird. Para ser mais honesto, não solte gritinhos histéricos. OK???

- Beba água. O Gigantinho tem o dom de se transformar em um forno mesmo com a temperatura externa lembrando um inverno glacial.

- Estejam com os ouvidos atentos. Liam é beberrão e este será o último show na turnê brasileira. Ou seja, a chance da voz do Gallagher vocalista estar avariada é considerável.

- CHEERS